Trans

Amigas

Mulheres trans são desproporcionalmente afetadas pelo HIV, concentrando os maiores índices de infecção, dificuldade no acesso e retenção ao serviço de saúde e precariedade nos resultados dos tratamentos. 

Participação ativa no atendimento clínico e altos níveis de aderência à TARV (Terapia Antiretroviral) são essenciais para permitir que as pessoas com HIV possam viver mais e com mais saúde. O início da TARV e da otimização da aderência entre mulheres trans vivendo com HIV são as intervenções mais eficazes para aumentar a sobrevida e reduzir a transmissão do HIV.

 

Abordar de maneira culturalmente apropriada as barreiras para cuidados do HIV e aumentar a adesão é vital para a melhoria de resultados de saúde nessa população, sujeita a um complexo conjunto de desafios psicossociais que complicam o acesso e adesão aos cuidados do HIV, como a oferta limitada de serviços e resistência para procurar os serviços de saúde devido ao estigma e a experiências negativas com médicos, priorização de cuidados de saúde relacionados com gênero e preocupações sobre interações adversas entre os medicamentos da TARV e a hormonioterapia.

A marginalização social e econômica devido à transfobia (atitudes negativas da sociedade com pessoas trans) muitas vezes resulta em pobreza e instabilidade profissional, precárias condições de habitação, afastamento familiar, educação formal limitada, suporte social limitado, doença mental, trauma, abuso de substâncias e introdução ao trabalho sexual, frequentemente em uma idade precoce. Estes

fatores podem resultar em atrasos ou não comparecimento em cuidados médicos para o HIV e resultados precários de saúde.

~ Objetivos do estudo ~

O conjunto de intervenções sistematizado na navegação por pares pode ajudar a melhorar a aderência ao tratamento com antirretrovirais entre travestis e mulheres trans infectadas pelo HIV, levando a melhores desfechos de saúde

Uma mulher trans que vive com HIV e já está mais empoderada em relação à isso e também já adere ao tratamento

Ficará responsável por "navegar" um grupo de mulheres trans que também vivem com HIV

Ou seja, irão oferecer apoio em relação ao enfrentamento da infecção, lembrar de consultas médicas, conversar sobre a medicação e oferecer suporte em diversas situações sociais e de saúde que possam aparecer

O estudo tem como modelo teórico de atuação o Modelo de Afirmação de Gênero. 

 

"Afirmação de Gênero” refere-se a um processo interpessoal e interativo através do qual a pessoa recebe reconhecimento social e suporte para a identidade e expressão de seu gênero. Esse modelo sugere que, no contexto de transfobia, uma alta necessidade de afirmação de gênero entre mulheres trans, combinada a um baixo acesso serviços que propiciam a desejada afirmação, resulta em necessidades não atingidas, constituindo uma ameaça à identidade. Mulheres trans tentam reduzir a ameaça à identidade (ou satisfazer suas necessidades de afirmação de gênero) buscando afirmação em contextos que podem representar riscos para a saúde e, consequentemente, ignoram comportamentos importantes para manter a saúde.

+

Navegação por pares

Empoderamento baseado no Modelo de Afirmação de Gênero

=

Melhora acesso ao serviço de saúde? Melhora adesão ao tratamento? Faz atingir supressão viral?

 Oferecer suporte no atendimento médico, tirar dúvidas básicas sobre HIV, lembrar de tomar medicação, oferecer um cuidado psicológico de alguém que entende as especificidades e dificuldades 

 Conversar sobre serviços disponíveis para mudanças corporais, entender as necessidades de afirmação de gênero, conversar sobre empoderamento do próprio corpo, identificar situações de risco provocadas por uma necessidade de afirmação 

~ Equipe ~

O estudo irá ocorrer durante 9 meses, tendo início em Maio de 2018.

As atividades desenvolvidas acontecerão no Centro de Referência e Treinamento em DST/AIDS (CRT), Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) e local próprio para reuniões e eventos entre navegadoras e participantes.

Coordenadora do estudo no Brasil:

Profa. Dra. Maria Amélia Veras, Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

 

Co-Cordenador:

Gustavo Santa Rosa Saggese, Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Investigadoras principais dos EUA:

Dra. Sheri Lippman, University of California San Francisco

Dra. Jae Sevellius, University of California San Francisco

Equipe de pesquisa TransAmigas:

Renata Batistelli

Daniel Barros

Kátia Bassicchetto

Luca Fasciolo Maschião

Aline Rocha

Anna Campos

Izabela Leite Concilio

Paula Galdino

Patricia Porchat

Ricardo Barbosa Martins

Thiago Pestana