Estima-se que, no Brasil, cerca de 700 mil indivíduos vivam com o HIV. De acordo com parâmetros estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a epidemia de AIDS no país é concentrada, ou seja, apresenta taxa de prevalência da infecção pelo HIV menor que 1% entre parturientes e maior que 5% em subgrupos populacionais sob maior risco para infecção pelo HIV, como o das travestis. A taxa de prevalência da infecção pelo HIV, no país, na população de 15 a 49 anos, mantém-se estável em aproximadamente 0,6% desde 2004, sendo 0,4% entre as mulheres e 0,8% entre os homens.

HIV e Vulnerabilidade Social

   

      No perfil epidemiológico da HIV/AIDS, o grupo das travestis apresenta-se evidentemente exposto ao risco de infecção, devido à sua história de vulnerabilidade social. As distintas modalidades de discriminação e preconceito, a violência, a exclusão social, a transfobia e a prática de sexo desprotegido, entre outros, têm contribuído para que esse segmento se transforme em um grupo suscetível ao HIV/AIDS. Consonante a isto, em 2007, formulou-se o Plano de Enfrentamento da Epidemia de AIDS e das DST entre Gays, HSH e Travestis, que reconhece a homofobia/transfobia como um dos elementos desta vulnerabilidade.

 

     

No ano de 2009, o Programa de HIV/AIDS das Nações Unidas (UNAIDS) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) lançaram um plano de ampliação ao acesso à informação e aos serviços de HIV entre HSH e a população “trans”. De acordo com as informações explicitadas por este plano, a falta de vontade por parte dos governos e doadores em investir na saúde sexual das minorias sexuais, o impacto da exclusão social no acesso a serviços de saúde, o medo de violência, exposição pública, criminalização e a falta de prestação de informações e serviços são fatores identificados como os principais obstáculos que impossibilitam melhor acesso por essa população aos serviços de saúde relacionados ao HIV.

Dificuldade de acesso à serviços de saúde

     

 

        Resultados de pesquisas realizadas em 2008 e 2009, também destacam que as travestis e mulheres trans têm enfrentado dificuldades para usufruírem dos serviços de atenção à saúde.  Como consequência deste contexto, alguns estudos demonstram que um dos maiores problemas enfrentados na atenção à saúde pelas travestis é o da descontinuidade e abandono de tratamento. Mesmo diante de doenças crônicas ou graves que requerem cuidados ininterruptos, como é o caso da AIDS, há frequentes casos de desistência de tratamento. Ressalta-se aqui que o Ministério da  Saúde e as organizações da  sociedade civil do Brasil têm reconhecido as dificuldades para o cuidado da saúde de travestis e transexuais.  

A Pesquisa Divas é um estudo quantitativo de corte transversal que foi desenvolvido em 12 municípios brasileiros, entrevistando 4.700 travestis e mulheres transexuais, com 600 entrevistadas na cidade de São Paulo
 
Foi realizado através de um método chamado Respondent Driven Sampling (RDS), onde cada participante da pesquisa recebia convites e convidava pessoas de sua rede social, dessa forma é possível fazer projeções estatísticas que melhor representam os  dados da       
população estudada.                   
A pesquisa foi finalizada na segunda metade de 2017. Os dados ainda estão sendo analisados. 

Equipe DIVAS

Coordenação geral: 
Mônica Siqueira Malta
 

Vice-coordenação: 
Ana Maria de Brito (CPqAM/Fiocruz)
Maria Amélia de Sousa Mascena Veras (FCMSCSP) 
Maria Inês Costa Dourado (UFBA)

Coordenação de Laboratório: 
Carlos Velasco de Castro (IFF/Fiocruz)

Coordenação de Bioestatística: 
Sandra Brignol (UFF)

Coordenação de Análise de Dados: 
Francisco Inácio Bastos (Icict/Fiocruz)

Belém/PA - Tania do Socorro Souza Chaves 
Instituto Evandro Chagas (IEC/PA)


Belo Horizonte/MG - Michelle Ralil da Costa 
Departamento de Saúde Mental / Faculdade de Medicina (UFMG)

Brasília/DF - Ximena Pamela Díaz Bermúdez 
Faculdade de Ciências da Saúde / Universidade de Brasília 

Campo Grande/MS - Ana Rita Coimbra Motta-Castro 
Laboratório de Imunologia Clínica / Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)

Curitiba/PR - Sonia Mara Raboni 
Universidade Federal do Paraná

Fortaleza/CE - Maria do Socorro Cavalcante
Coordenadora do Núcleo Hospitalar de Epidemiologia do Hospital Geral César 
Secretaria Municipal de Saúde


Manaus/AM - Lucília de Fátima Santana Jardim 
Fundação de Dermatologia Tropical e Venereologia Alfredo da Matta 
Secretaria de Estado da Saúde

Porto Alegre/RS - Andrea Fachel Leal e Daniela Riva Knauth 
Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Recife/PE - Ana Maria de Brito 
Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (CPqAM/Fiocruz)

Rio de Janeiro/RJ - Lidiane Toledo 
Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnologia em Saúde (Icict/Fiocruz)

Salvador/BA - Inês Dourado 
Instituto de Saúde Coletiva / Universidade Federal da Bahia  (UFBA)

São Paulo/SP - Maria Amélia de Sousa Mascena Veras 
Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP)